Lá pelos idos de 1990, eu fui integrante de uma banda musical de garotos do subúrbio do Rio de Janeiro. Éramos seis músicos que compensavam a falta de experiência com o esforço e tocavam em qualquer lugar que nos convidasse a fazer uma apresentação. Já fizemos show para 3 mil pessoas (na época em que os showmícios eram permitidos) e até show para um casal (que foi o único que conseguiu chegar no clube, que ficou alagado em uma enchente).

Ensaiávamos exaustivamente pelo menos duas vezes por semana. No ensaio, cometíamos erros que eram corrigidos imediatamente e se começava novamente do início até a música sair bem legal. Quando um errava, a galera já percebia e avisava para ser consertado.

No ensaio, tudo pode. No show, é diferente.

A platéia não vai perceber nada de errado. Eu sempre falava que quem estava assistindo nossa apresentação não tinha noção de que algo saiu fora do esperado. Mas bastava que um de nós fizesse uma careta qualquer ou que um olhasse atravessado para o outro e já estaria alardeando o fato.

Trazendo agora para o nosso mundo corporativo, esta mesma regra deve ser aplicada nas nossas apresentações e eventos. Não devemos alardear nosso público sobre falhas que possamos vir a cometer. Manter-se “no salto” é a regra de ouro do show-business. Com criatividade e jogo de cintura, todo palestrante ou  promotor de eventos pode driblar os inconvenientes e ainda tirar proveito da situação, quando algo sair fora do planejado.

Um microfone que falha, um projetor que apaga ou um vídeo que não entra na hora certa. Qualquer destas possibilidades deve ser encarada com naturalidade, sem fazer referência à equipe de som ou ao técnico do computador. Ao contrário, elogie sempre, respire fundo e contorne a situação com o bom humor que seu público merece.

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